Dízimo e Oferta: o que você precisa saber - Dominus Comunicação

Muitas pessoas acreditam que dízimo e oferta são a mesma coisa. Há quem pense que, pelo fato de ter dado uma pequena oferta durante a Missa, está desobrigado de partilhar o dízimo. No entanto, existe uma diferença importante entre os dois. E é justamente isso o que vamos esclarecer neste artigo, onde vamos explicar o que é cada um e qual a sua importância na vida da igreja. Então, acompanhe!

A diferença entre dízimo e oferta

O dízimo é uma contribuição sistemática e periódica dos fiéis  para a comunidade e sua partilha precisa ser feita de acordo com a periodicidade do recebimento de cada pessoa. Exemplo: se você ganha mensal sua contribuição deve ser mensal, se você é um agricultor e recebe de acordo com a colheita, sua contribuição do dízimo pode ser de acordo com o período que recebe os recursos vindos da colheita.

 

Qual seria o valor recomendado para partilhar o dízimo?

No Documento 106 da Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil (CNBB) deixa claro que não precisa haver uma taxação ou uma porcentagem que determine o valor da partilha. 

Portanto, cada fiel faz a sua conforme a sua possibilidade naquele momento. Se você pode mais neste mês, dê mais, e quando puder menos, partilhe menos, o importante é a sua fidelidade e não o valor em si. 

Mas faça isso recordando o que diz a Palavra: “Deus ama o que dá com alegria” (2Cor 9,7).

O que é a oferta? 

 

Já a oferta é algo que se dá além do dízimo, é uma entrega sem compromisso, que pode ser feita em qualquer igreja, não precisa ser apenas na sua paróquia, e não possui periodicidade. Ou seja, você pode dar uma oferta quantas vezes desejar no mês e o quanto lhe for possível.

Contudo, além da contribuição em dinheiro, a oferta também pode ser feita por meio de doação de alimentos, de materiais que a igreja precise, de roupas para o bazar paroquial ou para ser entregue aos pobres, entre outras coisas. 

Portanto, é uma doação a mais que podemos fazer de maneira espontânea para auxiliar determinada igreja e até mesmo os irmãos mais necessitados que frequentam a comunidade.

 

Dízimo e oferta: inspiração bíblica

O dízimo tem suas raízes no Antigo Testamento. Na Lei de Moisés, o dízimo era obrigatório para todos os israelitas, e o objetivo era sustentar o templo, os sacerdotes e os levitas. 

Mas é propriamente em Gênesis, o primeiro livro da bíblia, que o dízimo é citado pela primeira vez. Abrão, sabendo que Ló, seu parente, havia sido feito prisioneiro pelos inimigos, escolheu mais de 300 homens entre os seus servos e foi ao alcance dos reis até Dã. 

A Palavra conta que Abraão conseguiu recuperar os bens que haviam sido saqueados do seu povo e também a libertação de Ló. E ao retornar, Melquisedec, rei de Salém e sacerdote, abençoou Abrão, dizendo: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra! Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos em tuas mãos!” E em seguida, Abrão deu-lhe o dízimo de tudo (cf. Gn 14,1-20).

Já no Novo Testamento, o dízimo não é mais obrigatório, mas ainda é considerado um princípio importante. Logo, Jesus ensinou que devemos dar a Deus o que é de Deus (Mt 22,21).

Por outro lado, a oferta também é uma prática que se encontra em ambos os Testamentos. Sendo assim, no Antigo Testamento as ofertas eram feitas como forma de gratidão a Deus e para expiar pecados, enquanto no Novo Testamento elas são incentivadas como expressão de amor ao próximo e generosidade.

Dízimo e oferta são uma obrigação?

Como foi possível compreender, dízimo e oferta são duas formas distintas e independentes de contribuir para o sustento da Igreja e para o desenvolvimento de seus trabalhos. 

Contudo, a decisão de ser um dizimista ou de dar uma oferta é pessoal e deve ser tomada não apenas com base em princípios bíblicos, mas com um coração grato a Deus.

É importante lembrar que Deus não precisa do nosso dinheiro, mas Ele deseja que sejamos generosos e compassivos com o próximo e que sejamos mantenedores da Igreja. Deus não precisa de nós, nós é que precisamos Dele. Ao mesmo tempo, a Igreja não precisa de nós, nós é que precisamos que a Igreja se mantenha viva e atuante em nosso meio.

Portanto, dízimo e oferta são atitudes que estão muito além de serem apenas contribuições financeiras, são atos de fé e adoração a Deus.

 

Aprofundando o tema do dízimo: as 4 dimensões 

Na partilha do dízimo, o cristão se mostra disponível a cuidar das dimensões: religiosa, caritativa, missionária e eclesial da comunidade. Vamos entender como isso funciona!

Dimensão Religiosa 

O dízimo é um ato de reconhecimento e gratidão a Deus por todas as bênçãos recebidas, materiais e espirituais, é um gesto de amor e confiança, demonstrando nossa fé em Sua providência. E através do dízimo, colocamos Deus em primeiro lugar em nossas vidas, reconhecendo Sua soberania sobre tudo o que temos. Logo, é um exercício de desapego e generosidade, que nos aproxima dos valores do Reino de Deus.

Dimensão Eclesial 

O dízimo é fundamental para o funcionamento da Igreja, permitindo a manutenção de sua estrutura física, realização de celebrações e atividades de evangelização. Portanto, através do dízimo cada membro da comunidade assume seu papel na construção da Igreja, tornando-se corresponsável por sua missão. É um exercício de participação e compromisso que contribui para o crescimento e a vitalidade da comunidade. Sendo assim, o dízimo é sinal de união e colaboração entre os membros da Igreja, demonstrando que somos um só corpo em Cristo.

Dimensão Missionária

O dízimo permite que a Igreja financie projetos missionários em outras regiões, levando a Boa Nova a todos os povos. Portanto, é um gesto de compromisso com a evangelização que contribui para a expansão do Reino de Deus. O dízimo também pode ser usado para financiar projetos sociais que promovem a justiça e a dignidade humana, combatendo a pobreza, a fome e a exclusão social. 

Dimensão Caritativa

O dízimo é um instrumento de caridade, compaixão e misericórdia que permite a Igreja auxiliar os necessitados da comunidade. Sendo assim, nos convida a ir além de nossas necessidades individuais e a nos colocarmos no lugar do outro, olhando para seu sofrimento com misericórdia, reconhecendo em cada um a face de Cristo. Portanto, é um gesto de amor concreto que transforma vidas e promove a dignidade humana. 

 

Interpretações equivocadas sobre dízimo e oferta

 

A primeira coisa que todo católico precisa saber é que tanto a vivência do dízimo quanto a oferta dada na Missa não servem para nos deixar “mais pobres” e a “igreja mais rica”. Infelizmente essa é uma compreensão equivocada que passa pela mente de muitos católicos. Dízimo não compreende apenas o aspecto econômico em si, essa é apenas uma parte, dízimo é espiritualidade.

Portanto, dízimo e oferta servem para abrir nosso coração para os tesouros do Reino de Deus, aqueles que não passam e nem perecem com o tempo. Logo, este versículo de Mateus ilustra muito bem esta questão: “Pois onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21). 

Outra compreensão equivocada é a ideia de que se partilha o dízimo e a oferta para ter uma recompensa de Deus. E existe inclusive uma falta “teologia da prosperidade” que prega que quem obedece a Deus possui riquezas. Ora, a riqueza verdadeira é o próprio Deus e não os bens deste mundo. Portanto, se eu tenho a Deus, eu tenho a máxima riqueza. Afinal, entre tudo o que Deus pode me dar, Ele próprio é o maior tesouro, e a verdadeira prosperidade é possuir o bem que ninguém pode tirar: a amizade de Deus. 

Dízimo e oferta: o Evangelho da Gratuidade

A gratuidade é o modo como Deus se relaciona conosco. Portanto, o “Evangelho da Gratuidade” prega um Deus que não se guarda para Si, mas que se dá gratuitamente a nós, e não se dá pela metade, mas inteiramente. 

Logo, a cruz de Cristo é o testemunho máximo disso, de um Deus que entrega inteiramente. E como se não bastasse se dar na cruz, Ele instituiu a Eucaristia para se dar a nós constantemente. 

Portanto, a gratuidade de Deus nos conduz a uma experiência espiritual com o dízimo. Quando reconhecemos a bondade gratuita de Deus, somos movidos a sermos também gratuitos e bons. E o modo como nos relacionamos com os nossos bens também fica marcado fundamentalmente por essa gratuidade, bondade e generosidade. 

Sendo assim, não devemos ser dizimistas para obter recompensas de Deus, mas sim porque somos ricos do amor, da misericórdia e da presença do Senhor. Como diz o Salmista: “Sois o meu Senhor, fora de vós não há felicidade para mim” (Salmo 15).

Gislaine Padro, redatora e evangelizadora na Dominus

 

 

 

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