Congregações religiosas: Quais os desafios da comunicação? - Dominus Comunicação

Congregações religiosas: Quais os desafios da comunicação?

Vivemos a era da Transformação Digital, assunto que já foi abordado em artigo publicado por nosso CEO no site da Pastoral da Comunicação. As empresas não são mais as mesmas, às redes sociais vieram pra ficar, e a evangelização deixou de ser uma realidade de comunicação presencial. 

Enquanto nos séculos passados a Igreja sempre foi pioneira nos meios de comunicação social, com o advento da Internet, houve o inverso: muitos movimentos e congregações acabaram ficando na retaguarda dos avanços tecnológicos.

Portanto, um grande desafio vivido pela comunicação católica está em possibilitar às congregações religiosas uma atualização eficiente na evangelização digital. Afinal, boa parte das famílias de vida consagrada possuem mais de 100 anos de história. Algumas, têm um número de membros majoritariamente idoso, e estruturas de governo necessariamente enrijecidas pelo tempo. 

Portanto, para ajudar nessa transição, trouxemos os principais desafios da comunicação nas congregações religiosas. 

Compreender que a Igreja tem um negócio: comunicar! 

Se a missão da Igreja é anunciar, o negócio da Igreja é comunicação. Por isso, entender que a Igreja, enquanto instituição, tem como DNA comunicar, é indispensável.  No entanto, esse aspecto é assimilado, não somente de modo teórico, mas prático. 

É necessário, por exemplo, investir recursos humanos, físicos, financeiros e tempo na comunicação. Se não há investimento na comunicação, não há prioridade na missão. 

Pensemos numa fábrica de móveis que resolveu produzir automóveis, ela está fora da sua identidade enquanto negócio. Para a Igreja, não comunicar é deixar de ser aquilo para o qual nascemos. É preciso que as congregações compreendam a comunicação como prioridade. 

A comunicação não é apenas um recurso que deve ser usado. Ela faz parte do DNA de uma instituição católica. Anunciar, propagar, evangelizar, proclamar: Eis a missão da Igreja.


Desmistifique a comunicação como um gasto financeiro e romper a ideia do amadorismo

Muitas estruturas de governo das congregações carregam um mito de que a comunicação é um gasto. Além disso, lançam mão do profissionalismo e promovem uma cultura de amadorismo, pois não compreendem que comunicar é parte da sua identidade.

Isso gera um desgaste na vida da comunidade, e coloca em risco a eficiência do processo evangelizador e gestor da própria congregação. 

A comunicação de uma instituição está caminhando ao lado da sua gestão, seu impacto é estratégico e não apenas operacional. Não usamos comunicação só para divulgar as coisas, usamos ela em todas as esferas de uma organização. 

É necessário que o tema comunicação seja inserido nos anos formativos da vida religiosa. Além disso, é necessário investir para que consagrados façam capacitações técnicas, seja cursando uma faculdade na área, ou fazendo cursos específicos.  

Um exemplo bem interessante de instituto religioso que investiu na capacitação dos consagrados é a Copiosa Redenção. O governo da comunidade resolveu que uma de suas religiosas faria faculdade de Designer. O fruto disso é um departamento de comunicação estruturado que está em pleno funcionamento trazendo resultados substanciais à missão da congregação.  

 

Não contar com o Departamento de comunicação e marketing 


Se observarmos esse organograma, veremos que o Departamento de marketing está em ligação direta com a Presidência. Não é departamento avulso, mas ligado às estratégias de gestão e interesses administrativos; no caso das Congregações Religiosas, interesses evangelizadores e vocacionais. 

Quando se olha para comunicação como área de gestão, ela influencia em todas as dimensões da instituição, na sua gestão estratégica. Não é uma parte pequena, porém uma influência grandiosa no serviço pastoral. 

Por isso, é importante a reestruturação do organograma institucional nessa perspectiva. 

Com essa estruturação, uma necessidade que surge, a partir do posicionamento estratégico, é de que a congregação passa a ver a comunicação com uma visão de negócio: se meu negócio é comunicar, o Departamento de Comunicação é meu principal departamento. 

Desse modo, a instituição começa a integrar melhor as ações de divulgação ou de desenvolvimento do trabalho pastoral, contribuindo com o desenvolvimento de produtos e serviços pastorais.

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Amadorismo x Profissionalismo 

Um desafio enfrentado na comunicação religiosa, como dito acima, é o amadorismo. 

Não podemos mais contar com estruturas de comunicação organizadas de qualquer forma. Somos evangelizadores no mundo, e este se capacita cada vez mais, inclusive na tecnologia, para combater os princípios morais e evangelizadores. 

Por isso, a profissionalização precisa de investimento. Um meio de conseguir dar início a esse caminho é a delegação de um religioso ou religiosa para exercer a função de coordenador do processo de estruturação e demais trabalhos da comunicação. 

Esse membro pode capacitar-se – tendo em vista o médio e longo prazo – ou ter um suporte como a contratação de um gestor de comunicação, que estará subordinado ao religioso e dará ritmo ao trabalho. 

Falta de familiaridade com as novas tecnologias: 

Boa parte das congregações religiosas mais antigas sofrem com um envelhecimento dos seus membros, e uma baixa de vocações jovens. Portanto, é natural que se tenha uma grande dificuldade quanto ao uso dessas novas tecnologias. 

No entanto, a internet é um lugar habitado, uma cidade habitada. Não podemos nos abster da evangelização no ambiente digital. Afinal, as vocações de hoje estão, em sua maioria, na internet, nas redes sociais.

Por isso, é preciso ingressar nessa terra, sem julgamentos e/ou preconceitos. Mas buscando aderir suas linguagens e símbolos para que os habitantes deste continente digital vivam, também eles, uma experiência com seu carisma vocacional. 

Sendo assim…

Ser Igreja e não saber comunicar é como ser marceneiro e não saber fazer móveis. As congregações precisam mover-se em direção a essa nova terra de missão e desbravar seus desafios com ousadia e amor. 

Tal qual os grandes missionários da nossa história cristã, a evangelização não pode esperar. Os carismas precisam continuar atuando no mundo. Há muitas vocações, “peixes, que pululam nas redes” – podemos usar a licença poética para imaginar por exemplo as redes sociais como redes de pesca – à espera dos pescadores de homens, inspirados pelo Evangelho. 

Por isso, ouçamos a voz do Mestre que continua a ressoar dizendo: “Não tenhais medo!” 

 

 

 

 

 

Heraldo Lima

Jornalista de formação, possui intensa e longa experiência missionária. Atualmente compõe a equipe de Redação na Dominus Evangelização e Marketing. Casado com a Anne, pai do Davi e do Gabriel. Seu coração está na evangelização!

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