Antes de organizar a tão conhecida e desejada Pastoral de Conjunto, vamos compreender do que se trata. Ir ao conteúdo
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 Pastoral de Conjunto: Como você deve organizar

Antes mesmo de traçarmos um caminho para organizar a tão conhecida e desejada Pastoral de Conjunto, vamos compreender do que se trata.  Primeiro é importante destacar que NÃO estamos falando de uma nova pastoral, mas sim de uma cultura organizacional que deve ser implantada no processo evangelizador paroquial.

Nascida para gerar uma renovação eclesial, ela deu seus primeiros sinais no Concílio Vaticano II, com uma nova compreensão sobre a realidade pastoral, em que se vê a Igreja como uma grande rede de comunidades de comunidades que tem sua ação evangelizadora realizada de forma global.

A Pastoral de Conjunto é um novo jeito de entender e realizar o processo evangelizador; Podemos dizer que é uma espécie de alinhamento estratégico das ações evangelizadoras da comunidade. O objetivo de implantar este novo jeito de pensar e fazer pastoral NÃO é colocar as diferentes pastorais e movimentos todos em uma única “forma”, como se não houvesse diferentes dons e carismas.  O que se espera com a vivência desta nova cultura é alinhar os objetivos e metas evangelizadoras da comunidade, para que todos sigam em direção à elas. Cada um dentro da sua realidade irá exercer seu papel para que juntos cheguem ao tão esperado lugar.

Agora que entendemos um pouco mais sobre o que é a Pastoral de Conjunto quero apresentar algumas dicas práticas de como você pode viver na sua comunidade esta realidade. Minha dica aqui é você iniciar com algo simples, será uma espécie de projeto piloto, para que depois possa ser desenvolvido um plano pastoral mais elaborado.

 

 1. CONHECER A REALIDADE PASTORAL ATUAL

Neste primeiro momento é muito importante que você faça uma análise do atual cenário pastoral da sua comunidade. Procure mapear todas as pastorais, movimentos, organismos e setores existentes. Ao mapeá-los organize-os em uma tabela separando-os por afinidade e por objetivos comuns. Seria uma espécie de organização das demandas evangelizadoras. Veja no modelo abaixo:

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  2. IDENTIFIQUE UM DESAFIO A SER SUPERADO PELA PARÓQUIA

Procure identificar um objetivo pastoral. Uma dica é você pegar no último plano pastoral paroquial um que não tenha sido alcançado. Caso a paróquia não tenha um plano pastoral, você pode convocar o Conselho Pastoral Paroquial e junto com eles definir um objetivo baseado na necessidade mais gritante da comunidade. Por exemplo: Evangelizar os jovens com ousadia.

 

 3. CONVOQUE PARA UMA REUNIÃO

Agora que você já tem um objetivo pastoral, você deve convidar o grupo de pastorais que tenha mais afinidade e objetivos comuns ao objetivo do plano pastoral. Seguindo o exemplo que dei no item anterior, devem ser chamadas para a reunião todas as pastorais e movimentos que trabalham com os jovens. Esta reunião precisa ser preparada com antecedência, nela você é necessário apresentar o objetivo estratégico que a paróquia tem e convidá-los a identificar oportunidades que podem ser trabalhadas para alcançar este objetivo.

Faça com eles uma tempestade de ideias e registre todas elas. Lembre-se: todas as ideias que forem apresentadas, por mais maluca que seja, devem ser consideradas na lista. Feita a lista de ideias, chegou a hora de escolher as mais interessantes, aqui você pode escolher algum tipo de sistema de votação. Com as três mais votadas é hora de elaborar os projetos e o planejamento de execução, esse é tema do próximo item.

 

4. CRIAÇÃO DO PROJETO E PLANO DE AÇÃO

Agora que a comunidade já tem um objetivo traçado, ideias analisadas e escolhidas, é hora de transformá-las em projetos e em um plano de ação. Com as mesmas pessoas que você trabalhou nas etapas anteriores, você irá agora dividi-las  em três grupos – só faça isso se o grupo for muito grande, se for poucas pessoas, você pode fazer com todas juntas. Cada grupo ficará responsável por elaborar o projeto de uma ideia. Abaixo apresento quais itens recomendo que tenha no projeto:

Objetivos do projeto: Neste momento o grupo precisa considerar quais objetivos o projeto terá. Lembrando sempre que existe o objetivo estratégico da paróquia, lembra? Desta forma é possível alinhar o que a paróquia tem como objetivo macro e o que o projeto tem como objetivo proposto.

Veja o exemplo: Digamos que o primeiro projeto seja “Escola de Líderes Jovens”, os objetivos do projeto podem ser: 1) aumentar o número de líderes jovens para ganhar maior força evangelizadora; 2) estabelecer um processo formativo para todos os jovens participantes dos grupos e 3) formar entre os catequizandos novos líderes jovens.

Público alvo: Aqui é preciso definir para quem o projeto é destinado. Seguindo o exemplo, digamos que o projeto da Escola de Líderes será destinado para os seguintes públicos: catequizandos da Crisma, atuais jovens participantes dos grupos, jovens participantes de outras pastorais e movimentos.

Estratégias: Aqui você irá dizer como o projeto irá acontecer. Por exemplo: A Escola de Líderes Jovens ocorrerá em dois formatos (presencial e online). No modelo presencial será gravado todos os encontros e depois será disponibilizado para os jovens que não puderam participar da formação.

Indicadores: Os indicadores são os instrumentos de gestão na verificação dos resultados e se a meta definida foi alcançada. Ex. Se sua comunidade tem um projeto de Escola de Formação, um indicador é o número de alunos inscrito para participar.

Metas: Para cada projeto é preciso definir uma ou mais metas. Lembrando sempre que metas devem ser quantitativas, ou seja, devem ser numéricas.

Iniciativas: As iniciativas são as atividades que a equipe responsável pelo projeto precisa realizar para que o objetivo seja alcançado. Aqui eu sugiro a elaboração do plano de ação do projeto.

Responsável: Para cada iniciativa é preciso definir um responsável. Uma dica importante aqui é envolver toda a comunidade na execução do plano, por mais que o projeto seja para os jovens, envolva a todos. Faça com que cada pastoral ou movimento sinta-se parte do projeto.

Prazo: Procure determinar uma data para que cada iniciativa seja cumprida. Aqui faço mais uma sugestão: caso a iniciativa proposta precise de muitos dias, determine um período. Por exemplo: de 10 a 20 de março.

Custo: Todo projeto tem um custo operacional, procure definir o planejamento orçamentário, isso evitará surpresas.  

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 5. LANÇAMENTO DOS PROJETOS E EXECUÇÃO

Agora que vocês já desenvolveram o projeto (ou os projetos), faça uma apresentação para todo o Conselho de Pastoral Paroquial. Um detalhe importante: envolva todos que desenvolveram os projetos nesta apresentação. Elabore materiais de divulgação dos projetos, apresenta eles como se você fosse o dono de uma empresa e está lançando um produto que precisa ser comprado pelos seus clientes. Lembre-se de apresentar em detalhes a atribuição de cada um no plano de ação, de preferência imprima uma cópia e entregue para cada coordenador de pastoral ou movimento. Feito o lançamento, agora é pôr em prática o primeiro projeto!

 

6. ACOMPANHAMENTO E CONTROLE

Para este item vou usar um ditado popular, bastante conhecido: “É o olho do dono que engorda o boi”, por isso, é importante que o projeto seja acompanhado com cuidado. Não deixe para ver o que foi feito no limite da execução final do projeto. Determine um cronograma de reuniões de acompanhamento Elas devem ser breves e sempre ter como orientador o plano de ação. Siga estas perguntas: O que foi feito do planejamento? O que ainda falta fazer? O que foi feito e não estava no planejamento? Há tarefas em atraso? Quais os motivos do atraso? Precisa de ajuda para executá-las? Como podemos ajudar?.

 

7. AVALIE OS RESULTADOS

Um ponto muito importante na vivência pastoral é a avaliação dos resultados. Saber se a meta foi alcançada dará grande ânimo para continuar a evangelizar.  Procure ao final da execução do projeto elaborar um relatório de avaliação e apresente para o Conselho Pastoral os resultados alcançados, essa será a hora em que você garantirá que trabalhar integrado faz toda a diferença.

 

 8. FAÇA UM PLANO DE PASTORAL INTEGRADO

Depois de fazer essa experiência e sentir os resultados alcançados, você pode propor o desenvolvimento do plano pastoral de forma mais integrada e articulada. Tenho certeza que ele não ficará guardado na gaveta.

Pastoral de conjunto

 

 

Jean      Jean Ricardo

    Consultor de projetos de evangelização

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